sábado, 2 de agosto de 2008

Associação de baleiros suspende cadastros

Por Sandra Andrade

A Unibal – União dos Baleiros da Bahia suspendeu novos cadastramentos. A organização está passando por sérias dificuldades, desde que retornou às suas atividades há quatro meses, por conta de problemas financeiros adquiridos na gestão anterior.

Situada no Bairro de Pernambués, funciona provisoriamente numa sala pequena, sem computador, bebedouro, com mesas e cadeiras velhas. A associação que reúne cerca de mil baleiros na capital baiana, não sabe ao certo o tamanho das dívidas adquiridas nos últimos meses. Mas, a nova coordenadora Bárbara Santiago, tem a missão de colocar a instituição em ordem financeira, bem como contabilizar manualmente a quantidade de associados cadastrados.

Fundada em 17 de agosto de 2003, contou com o apoio da vereadora Tia Eron e do atual prefeito, João Henrique. Sua criação foi importante, pois permitiu que os baleiros tivessem acesso livre aos ônibus coletivos de Salvador para vender suas mercadorias. Cada associado paga uma mensalidade de R$ 5,00 e no ato da inscrição recebe um colete e um crachá de identificação, que é válido por um ano e é identificado pela cor. O atual é verde.

A associação trouxe novas possibilidades de emprego no mercado informal, em contrapartida aumentou a oferta e criou muita concorrência. “Antigamente quem vendia era quem não tinha vergonha mesmo de entrar no ônibus e oferecer um doce, hoje todo mundo quer ser baleiro e isso dificultou um pouco”, diz Juraci dos Santos.

Vendedor de doces há quase nove anos, ele diz que saiu às ruas por necessidade.“Era Natal, meu pai não tinha dinheiro para comprar um presente para mim, eu peguei R$ 2,00 emprestados na mão de um colega, comprei um pote de quebra-queixo. Saí de manhã quando voltei a noite, eu tinha quatro potes de quebra-queixo e R$ 10,00 no bolso. Desde esse dia não parei mais de vender”.

O Sr. Claudenor Ferreira é um outro exemplo. Ele desistiu da profissão há cinco anos, pela dificuldade de vender ou medo de ter suas mercadorias apreendidas pela polícia. Largou sua casa e família e resolveu tentar a sorte no interior da Bahia. A criação da associação trouxe esperanças de retornar a profissão abandonada.

Hoje cadastrado e identificado, ele está contente com a rotina que começa as 08:30 da manhã e termina as 22:00, todos os dias da semana. “Graças a Deus eu estou pagando minha mensalidade e agradeço ter acontecido isso aqui”, enfatiza Claudenor.

Preocupada com a quantidade de profissionais e atenta para a grande oferta na cidade, Bárbara Santiago afirma: “vamos parar e contabilizar quantos cadastrados temos agora. Porque se continuarmos assim, vai chegar o momento em que teremos baleiros ganhando R$ 1,00 por dia”.

A nova gestão diz que está recomeçando do zero e trabalham para reconstruir a estrutura perdida. Prevêem projetos de descontos na compra de mercadorias para os associados, bem como um acordo com as empresas de transportes a fim de evitar impasses entre motoristas e vendedores. Pretendem em longo prazo prestar apoio a baleiros que estejam passando por problemas de saúde, com doações de remédios e também assistência na retirada de documentos como identidade e CPF – cadastro de pessoa física.

“Eu queria que a Unibal lutasse para a gente ter direito ao INSS, porque como autônomo e trabalhando na rua, se nos acontecer algo, não temos a quem recorrer, diz Juraci. A esperança do Sr. Claudenor é outra:” seria bom se a gente pudesse estudar “, afirma.

3 comentários:

isa disse...

Gostaria de manter contato com a Barbara Santiago. Como faço...?

ana lucia disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Bruno disse...

Tenho boas idéias para á associação melhorar as suas finanças, pois eu admiro o trabalho dos baleiros nos coletivos.
Um abraço, 32406479